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domingo, 6 de julho de 2008

Água, que te quero sempre


Estava lá, despida!
E o líquido insípido da vida, caía no corpo sinuoso.
O indicador, o médio e o anelar da mão direita...
Tocavam o corpo como se sentisse gozo.

Iam delicadamente até o pescoço, subiam ao rosto.
Em seguida, desciam aos ombros.
Depois, com as mãos ensaboadas e postas, como em oração...
Ela assoprava.
E uma bolinha rápida de sabão, de suas mãos, voava.
Enquanto seu corpo se aprazia...
Sob o insípido líquido que limpa, dá vida e alegria.

As mãos soltas... Desciam!
E ao chegar logo abaixo dos ombros, cruzavam
como se a abraçasse.
E, se alguém chegasse, poderia ver o líquido caindo.
E, aquele corpo, nutrindo.

Caía gostoso... descia pela fina cintura.
E, com doçura, fazia a genitália banhar.
Caia nas pernas, joelhos, descia pelo corpo todo!
Massageando como se estivesse amando.
E, quando, ela curvava para tocar os pés...
O líquido caía de forma maluca, molhando o cabelo e a nuca.

Um dia, ela viu no azulejo- gotículas perdidas!
Como num espelho, refletidas.
Muitas delas!
Caiam de suas costas delicadas.
Na parede, no chão, de forma desordenada.
Caídas, pelo ralo desperdiçadas!

E, foi assim, que a louca e boa idéia surgiu.
O líquido seria aguardado.
Caído, seria colhido e reciclado.
Não seria mais insípido...
Mas, não seria desperdiçado!

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Eu retrô

Mais parecia uma miragem.
Quando eu vi aquela imagem no espelho.
O vendedor perplexo, diante de tamanho reflexo.
O espelho emoldurado, de cintilante e dourado.
Refletindo um belo corpo contornado.

A seda insinuante escorregava.
E naquele corpo quente, passeava.
Sutilmente, nas curvas, brincava.
Frescamente, as refrescava.

Na cintura delineada, levemente tocava.
Fazendo nas costas, imenso contorno.
Como se perdida nas curvas...
Mostrasse o retorno.

E assim, naquele escultural corpo.
Descia a seda pura do vestido.
Como se nele, o caminho tivesse perdido.
E naquelas curvas, perdesse o sentido.
Lindo corpo, naquele vestido!

Parece bobagem...
Mas, parecia uma miragem.
Era o retrô em seda pura, em mim.
E eu no espelho.
Era um vendedor perplexo...
Diante do meu reflexo.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

O lobo e a Cinderela.

Era uma vez...
Uma ovelha boba.
Que tinha garra de loba.

De ovelha não tinha nada.
E na floresta fazia festa.
Pra tapear um lobo mau.

O lobo que não era bobo.
Aparecia só de madrugada.
Fazia seresta da passarada.
E de mau não tinha nada.

A ovelha ficou dengosa.
Toda manhosa - Cinderela.
E tagarela fez-se criança.
E o lobo entrou na dança.

E a ovelha - Cinderela...
Tagarela tapeou o lobo.
E do lobo tirou o mau.
E o açúcar tornou-se sal.

A floresta que era insossa...
Ficou de festa até com a onça.
E a ovelha mostrou a garra.
E na floresta fizeram a farra.

Cinderela e lobo na floresta.
A onça de sardas temerosa.
Por que a ovelha de muita prosa.
Do lobo tirou o mau.
E no açúcar colocou o sal.

Mas na floresta nada acontece.
Mesmo que o lobo ainda quisesse.
E a ovelha também tem garra.
E o lobo não faz mais farra.

A floresta não é nada densa.
E o crime nunca compensa.
Mas também não é nada leve.
E o lobo nunca se atreve...

Assim por muitos anos...
Para os maiores desenganos.
Da onça e toda bicharada.
Nunca aconteceu nada!

Viveram na floresta...
O lobo que não era mau de todo.
E uma Cinderela nada adocicada.
Na floresta por muitos anos.
Sem nunca acontecer nada.

Era uma vez um lobo e uma Cinderela...