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Mostrando postagens com marcador Poesias minhas- Maraláxia. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Uvas passam

Gosto da chuva no rosto.
Do gosto do vinho tinto.
Sinto o corpo malhado,
molhado
 cansado
 sinto.
Diante da chuva...
Sou uva macerada.
Deixo-me molhar, ser pisada,
até que o cansaço me vença.
Deixo-me beber até a dormência
e pela chuva ser bebida.
Livre de toda carência,
pela vida ser vencida.
E eu bebo...
Bebo do vinho...
E me bebe a chuva...
E chupa da uva...
amassada! 

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Atemporal

Ah, se eu independesse do tempo...
Talvez eu pudesse correr atrás de um tempo perdido.
Talvez, além, eu pudesse ter ido.
Ah, se eu pudesse!

A gente cresce e o tempo dita normas.
Aborrece!
Não quero que a vida me faça perder.
Resolvi não crescer!

Na face marcas do tempo.
Minha alma leve me leva com o vento.
Aqui, ali... em qualquer lugar!
Onde há alegria e paz.

Ardiloso o tempo...
Fez-me buscar sem sentido.
Quando o que eu procurava estava comigo.
Sempre esteve!

Mas, não há lamento.
Aqui está e, este, é o meu tempo!
Sem ou cheio de graça.
E me leva e passa!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Karis


Seu sorriso é triste.
Mas, a tristeza ensina.
Que para os fortes chega.
E se faz divina.

Se eu fosse sua mãe eu não permitiria
Que fosse embora para voltar um dia.
Mas, ela, também é forte.
Luta com a vida, já lutou com a morte.

E nesse desprender, nesse deixar...
Na despedida espera o seu retornar.
No jardim da vida Deus lhe deu amores.
Já lhe deu espinhos e colherá flores.

Ele a fez formosa e, até, lhe deu uma rosa.
Que estará sempre presente.
Se motivo existe para estar triste...
Motivo existe para estar contente.

E se, algum motivo existe para ser feliz.
O motivo tem nome
Chama-se Karis.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Casa de pau-a-pique


Era uma casa de pau- a- pique
Que de pique não tinha nada.
Era uma correria
Quando vinha a chuvarada.

Baldes, panelas e bacias faziam a alegria
Na casa de pau, com a moçada.
Não tinha pique!
Mas, tinha água!

Já que pique não existia.
A panela de metal emitia o som da gota d’água:
Tóc, tóc, tóc...
E o cheiro de reboque, com a chuva, exalava.

Era uma casa de pau, bambu e barro!
Casa de pau- a- pique chamada.
Mas, de pique...
Não tinha nada!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O pai da noiva



Sei que as emoções não serão poucas.
Do tremular da boca às lágrimas incontidas
Sentirá na pele o teor da vida
Quando, ao altar, sua filha conduzir.
E ao tentar sorrir, eu sei que irá chorar.
Chore!

E, ao noivo, a entregue.
E se, um dia, for preciso acolha-a.
E no colo, mais uma vez, a carregue.
Sempre, será sua menina querida.

Sei que pensará na vida, nos sonhos desfeitos.
Todo pai tem o direito de se preocupar.
Ame!
Mesmo que lágrimas derramem...
Erga as mãos na hora do Pai nosso.
E se, os filhos não são nossos...
Agora, outro homem ela irá acompanhar.

Tente sorrir!
Será difícil controlar.
Então, chore... chore muito!
Todo pai tem o direito de chorar.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Morada sombria

Era uma morada entre as sombras.
Mesmo entre as sombras não chegava a ser sombria.
Uma luz por pequena que fosse a iluminava.
E quem por ela passasse...
Sempre, uma luz via.

Era uma morada iluminada.
Que por entre as frestas do telhado escuro...
O céu azul o sol trazia.
E seus raios incandescentes a penetravam.
E nas manhãs quentes ardiam.

E quando chegava o anoitecer a lua aparecia.
Estrelas cintilavam!
Mas, aos poucos se apagavam.
E a morada, na madrugada escura,
ficava silenciosa e fria.
E entre sombras ela ressurgia.

domingo, 17 de agosto de 2008

Língua viva

A língua falada em pura linguagem...
Usada é entendida como mensagem.
Assim entende, assim escreve!
E ninguém se atreve a contestar,
que a língua é viva e pode mudar.

Tremam todos!
Lá vem a linguiça sem trema.
A língua é viva, recicla.
Eis o dilema!

Mas, se faço poema contrarregrando...
Também caíram hífens,
acentos cortando.
E nesta questão...
do trema da lingüiça não abro mão.

A língua é viva, tenho certeza.
E se a beleza está na palavra contida...
difícil é entender a escrita na vida.

Se " separado " é escrito em uma palavra só,
tenho dó de escrever " tudo junto " separado.
E com esforço danado eu tento entender
o acento do vôo que a língua fez per
der.

domingo, 8 de junho de 2008

Orvalho

Vieste como a aurora.
Iluminaste a superfície terrestre,
ainda, em sombras.
E agora te assombras
Porque sentes que te quero como outrora.

Às vezes te preciso como chuva mansa.
Para molhar este corpo
Que suado cansa, de tanto te buscar.

E se cansas de mim, me desespero.
E mais, ainda, quero
nesta chuva entrar.

Ainda, te busco!

E, se não podes vir
como aurora ou chuva mansa.
Que venhas como chuva tardia.
Que apareças qualquer hora, qualquer dia.
Em qualquer lugar!
... Só para me molhar!

Mas, quando apareces...
É como a umidade da atmosfera que se condensa.
Um crime que não compensa.
Não vou mais te procurar!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Jogando amarelinha

Um jogo bem traçado.
Quadriculado!
Bastava querer o céu olhar.
Aprender o jogo para nele chegar.

Uma pedra, entre tantas outras, lançada.
Bastava pegá-la, pular e continuar.
Contornar os obstáculos e no jogo proposto, jogar.

E foi assim, o aprendizado.
Os limites traçados deveriam ser definidos.
Eram confusos e no trajeto do jogo, perdiam o sentido.

Neste jogo, havia um espaço Céu. Acreditei!
Quadriculei, tracei limites.
E com este céu, sonhei!

Nunca perdi a esperança.
E nesta minha crença louca, meio criança...
Peguei pedras lançadas na amarelinha da vida.
E com elas, aprendi a pular.

Neste jogo, eu pulei.
Quanto brinquei!
Ainda, brinco!
Falta pouco pra chegar.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Vampiros

Com dente saltado e olho avermelhado
O vampiro espreita a presa a sacrificar.
Lança- se sobre ela, toca em seu pescoço
Tendo por gosto, a arte de chupar.

Na comissura labial, sangue!
Em forma de saliva a jorrar.
Inicia o ritual da canibalização.

O suor na mão, o rosto, o olhar.
E o fatídico beijo, simulando desejo
Faz da boca, o canino saltar.

Avança sobre a presa.
Joga-a no chão, na mesa, em qualquer lugar!
Oferece - a aos deuses como um objeto.
Sem nenhum afeto!

Vampiros... Vampiros...
Cheios de desejos!
Apoderam-se das almas.
Com mordidas, chupadas e beijos.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Era lobo... que judiação!


Vi um vivente, era um cordeiro.
Passou depressa, muito ligeiro!
Veio a galope, montado em pelo.

E com deszelo, deixou cair
A sua máscara de pelo bom.
Caiu na grama, sujou o chão!

Passou depressa, veio a galope.
Saiu correndo, triscando o chão.
Não era gente, não era ovelha.
Era um lobo... que judiação!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Fonte de luz


Que farias se tiveste sido inspiração poética por um dia?
Deslumbrarias o mundo e por um segundo, degustarias a vida?
Extrairias dela toda beleza que o próprio mundo faz esquecer?
Resgatarias a criança que está em ti a morrer?

... Se, assim, tu procederes
Se nenhum destes itens, esqueceres
Se embalares nesta real loucura
Se conseguires experimentar desta doçura...
Daí então, tu serás digno de toda inspiração.

Tu resgataste da vida, toda a beleza.
Descobriste que um paraíso em ti existe.
Que o ludismo, ainda, em ti persiste.
Que, teu ser adulto e culto nada fez arrefecer.
Resgatastes a criança que, o mundo, tentou perder.

A solidão...
Bem sei, existe!
Não há humano que com ela, coexista bem.
Quando tocado por alguém...
Afloram fontes de inspirações.

Não é preciso ser uma Fontana de Trevi.
E, se tu, ainda, te atreves...
Eu te busco neste silêncio obscuro.
És fonte de luz que ilumina este escuro.