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domingo, 12 de dezembro de 2010

A matança do porco

O capado gordo
A faca afiada
A corda na mão.

O laço
E o golpe certeiro
no coração.

É o porco que morre
É o sangue que escorre.

No fogão a lenha
o tacho com água fervente.
E o sangue, ainda quente, a cozer.
Louro e sal!

Enquanto o pobre animal
Com o fogo, na palha de milho, é chamuscado.
Depois dos pelos queimados.
É rapado e lavado.

E começa a dissecação:
Sai os miúdos
Em seguida o unto
As tripas
E o coração.

O serviço é dividido:
Na maquininha a carne é moída.
Enquanto a tripa é limpa
para ensacar as lingüiças.

Passadas no fubá, pimenta do reino e sal,
no varal são penduradas.
Com espinho de laranjeira são furadas
para pingar a gordura.

E, com doçura, a carne é repartida.
Um pedaço para cada vizinho ajudante.
A divisão dos quadrantes.

A gordura é derretida.
E em latas de vinte litros é dividida.
E as pancettas enroladas
na gordura ficam armazenadas.

É a carne
É o couro
É a lingüiça
O torresmo
O toucinho
O chouriço
E coitado do bicho.

Detalhe:
Sentir compaixão do porco não podia.
Senão ele não morria!

Lenda?
Não sei...
Essas MULHERES eram corajosas!
Entre elas – um porco
E uma...
Duas Rosas!
Uma pequenina.
Usava tranças!

Hoje traz na lembrança
O florido manchado do vestido.
E o óinc mais sentido de um porco:
ÓINCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCC!!!

sábado, 12 de setembro de 2009

Cleuza

Cleuza ela chamava.
Cada pulo que ela dava
Era seguido de três pulinhos,
Coçava a bunda e, depois, cheirava os dedinhos.

A mamãe dizia que Cleuza era doente.
Não só coçava
Mas, também, rangia os dentes.
Tinha tic nervoso!

Tinha bichos ENORMES na barriga:
Lombrigas!
E bichinhos bem pequeninos no fiofó.

Nunca mais ri da Cleuza.
Coitada...
Que dó!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Saudade

Ah, se saudade pudesse ser dita...
Eu diria simplesmente
Que, saudade é a dor que meu peito sente.
Da, tua, ausência embalada em mim.

Sinto que eu sou tola, e, definitivamente...
Eu tento arrancar a dor que meu coração sente.
Quando penso, em ti, assim:
Saudade!

Na verdade, a cada dia, eu envelheço.
E não esqueço de ser menina.
Sonho, todos, os sonhos de adolescente.
Carente... que importa?!

Quando morta...
Eu não quero ser lembrada como neutra paisagem.
Com a imagem pálida, esmaecida de um ex vivente...
Se, saudade é isso que meu coração sente...

É porque viva eu permaneço!
Pode me esquecer...
Eu não te esqueço!
Saudade...

sábado, 10 de janeiro de 2009

Desesperança

Ah... Você não chega mais como antes.
Só para me dar um olá, um abraço.
Cansou de brincar!

O ano termina, outro inicia e você não vem.
Olho ao meu lado e não encontro ninguém.
Você, eu não encontro!

Desaponto pelo simples querer.
Nenhuma esperança
Me deu de você.

domingo, 31 de agosto de 2008

Minha querida Julie


Deu-me a sua alegria e o seu afeto
... Em simples gestos!
Do frio eu a agasalhei!
Sua fome e sede eu saciei.
Deu-me todo o seu amor.
E a sua dor eu não consegui aliviar, eu sei!
Ensinou-me a farejar o lado bom da vida.
E eu farejei
... Sem máscaras!

Com você eu vi a diferença entre os animais.
Nenhum quadrúpede maltrata, pelo simples fato de maltratar.
O homem sim, diz que ama e consegue odiar.
Que pena, como se escondem!
Não sei por que, para que, nem onde,
tantas máscaras eles encontram.
E nem desapontam com tanto fingimento.
Conseguem ser frios sem nenhum lamento.
Fingem, articulam, manipulam e maltratam!
E gratuitamente matam.
Praticam selvagerias terríveis!
Coisas incríveis eu aprendi com você minha amiga.

Seu sofrer ainda me dói, corrói por dentro.
Ainda, lamento a sua ida, sinto a sua falta!
E quando volto do trabalho...
Meu retorno vira abandono sem você.
Quem sabe, um dia, eu a encontre em outra dimensão.
Deus permita Julie!
Cansei dos falsos santos.
Não entendo os mascarados, cheios de sonhos vãos.
... Frustrados!
Não suporto desafetos.
Quero afetos verdadeiros como os seus.
Quem sabe um dia?
Em um lugar de paz.
... Sem máscaras!

Dois anos de Saudades e, ainda hoje, a sua dor dói em mim.
... Amei você!