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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Uvas passam

Gosto da chuva no rosto.
Do gosto do vinho tinto.
Sinto o corpo malhado,
molhado
 cansado
 sinto.
Diante da chuva...
Sou uva macerada.
Deixo-me molhar, ser pisada,
até que o cansaço me vença.
Deixo-me beber até a dormência
e pela chuva ser bebida.
Livre de toda carência,
pela vida ser vencida.
E eu bebo...
Bebo do vinho...
E me bebe a chuva...
E chupa da uva...
amassada! 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Dama da noite

Sumi; às vezes eu sumo !
Gosto que perguntem por mim.
Enquanto perguntavam...
Plantava-me em outro jardim.

Entre outras plantas,
encontrei uma muito cheirosa.
Aparou meus espinhos e questionou,
chamando-me de Rosa.

" porque na defensiva assim?
 Para que tanto espinho...
Será que em seu caminho
tem tanta gente ruim? "

Olhei, envergonhada,
sem conhecer-me, a delicada,
curvava os galhos para mim.

Crédito da imagem- Google images

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Flores minhas

Tenho um amigo
que hoje me enviou flores.
Todas muito coloridas...
Menos as roxas!( disse senti-las tristes)

Bons jardineiros existem
e entre as flores tristes
sensíveis sentem.

Saudou-me pela volta
como se eu estivesse doente.
Ou se sumido houvesse.

Fiz uma prece
diante de tamanha poesia,
fiz poesia depois da prece.



Obrigada...

Obrigada, as flores são lindas...     Imagem do Google images.

Graças pela vida


Sim, eu me entristeço!
Eu me aborreço com futilidades.
 Sinto saudades de um tempo puro,
 onde o impuro era inverdade.
 Em minha cidade, antes vila pequena,
sonhou-se grande, veio a conquista.
De um dentista, de médio porte,
nasceram filhos de raça forte.
Cresci assim... cheia de graça:
 DANDO GRAÇAS PELA VIDA!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Abrindo janelas

Pedem-me para varrer este templo,
deixar de lamentos,
abrir janelas.
Acender velas e muito incenso.
E eu penso...
como deixar os mortos, que viveram comigo, no seu próprio limbo
 e enxugar as lágrimas e parar de me lamuriar.
Devo, pois, escrever versos?
 Mesmo sem rima, sem poesia?

De rimas pobres o blog sempre foi vestido!
De rimas vazias, sem sentido.
A última postagem fala sobre mãos
 e o meu coração veste uma angústia sem fim.

Ando ausente,
perdi uma pessoa muito querida!
Tenho vivido a morte
 e morrido a vida.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Essas mãos

" Poderias mergulhar como um só bloco no nada para onde vão os mortos: consolar-me-ia se me legasses as tuas mãos.
 Apenas as tuas mãos subsistiriam, separadas de ti, inexplicáveis como as dos deuses de mármore que se tornam pó e cal dos seus próprios túmulos.
Elas sobreviveriam aos teus actos, aos miseráveis corpos que acariciaram. Entre as coisas e ti, elas já não seriam intermediários: seriam elas próprias, transformadas em coisas.
Voltando a ser inocentes, pois tu já lá não estarias para fazer delas tuas cúmplices, tristes como galgos sem dono, desconcertadas como arcanjos a quem já nenhum deus dá ordens, as tuas mãos vãs repousariam sobre os joelhos das trevas.
As tuas mãos abertas, incapazes de dar ou de agarrar qualquer alegria, ter-me-iam deixado cair como uma boneca quebrada.
Beijo ao nível do pulso essas mãos indiferentes que a tua vontade já não afasta das minhas; acaricio a artéria azul, a coluna de sangue que outrora, incessante como o jacto de uma fonte, surgia do solo do teu coração.
 Com pequenos soluços satisfeitos, encosto a cabeça como uma criança, entre as palmas cheias de estrelas, de cruzes, de precipícios daquilo que foi o meu destino."





Marguerite Yourcenar

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Anjos meus

Ando sem verso, sem muita prosa.
No jardim eu cuido da última rosa...
 plantada.
Lágrimas descuidadas
molham a flor.
E eu sorrio tristemente...
Porque o que o meu coração sente
é dor.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

De volta para casa

Pois é, minha querida, cada dia um passo e a gente nem percebe. Que pena, Tia Anália, eu já estou morrendo de saudades. Descanse em paz.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Minhas respostas





Preservo- me fogo no vulcão que incendeia.
Já fui sereia à espera das águas do mar.
Para um bom marinheiro...
a caixa de Pandora a decifrar.

Roubei do céu o segredo do fogo
e da água do oceano o segredo do mar.
Não escrevi nem recebi qualquer poema...
Nem minha pele soube mais o que é roçar.

Fiquei presa às audácias que recorda minha mente.
Tentei apagar-me fogo e pus-me a nadar.
Naufraguei meu corpo carente
a procura de carícias vindas do mar.

Não obtive as carícias que meu corpo pedia.
Do fogo, que ardia, sobrou cinza da lenha a queimar.
Nenhuma água em meu ondulado corpo...
nenhuma onda quis me ondular.


Crédito da imagem- Google images
( A maioria das vezes, nos blogs de poesias, faço comentários referente ao escrito em forma de poema, este foi um deles, não me lembro qual nem de quem.)