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terça-feira, 27 de maio de 2008

Tapete mágico

Era uma vez, um tapete, um homem e uma mulher.
O homem apareceu e o tapete, gentilmente, ele estendeu.
A mulher quando viu o tapete, feito veludo na passarela.
Pensou que fosse pra ela e agradeceu.

Sentou nele pra sua textura, ela sentir.
Não sabia que era mágico.
E ele começou, suavemente, com ela a subir.

O tapete subiu tão alto. Mas, tão alto...
Que, num sobressalto, a mulher começou a sonhar.
E das tristezas rir.

Riu tanto, voou tanto, sonhou tanto, que começou a cair.
Até que um dia, de tanto voar e chocalhar de alegria, desceu.
O homem do tapete, não era mais aquele homem.
Aquele homem, desapareceu.

A mulher que sonhava sentada...
Ficou, então, apavorada.
E, no tapete, de pé postou.
Olhou, olhou de lado e o procurou.

Ele estava lá, como sempre, escondido!
Ela pensou que tivesse morrido, sumido.
Mas, ele só queria, mais uma vez,
com a mulher e o tapete, brincar.

Puxou o tapete, só pra vê-la escorregar.
E no solavanco, parar de sonhar.
E foi assim que, a mulher caiu e e ele riu.
Riu muito, enrolou o tapete, todos os sonhos e...
Mais uma vez, sumiu!

Levou com ele, o tapete mágico.
Pensou causar algo trágico.
Mas, nada conseguiu!
Nenhum dano soube causar.
O que ele não sabia era que...
Mulher não precisa de tapete pra sonhar.

E, foi assim...
E, é assim...
que um Homem e uma Mulher.
Vivem brincando com um tapete qualquer.

terça-feira, 11 de março de 2008

O lenhador e a flor

Era uma vez uma floresta e um lenhador.
Na floresta havia árvores e havia flor.
O lenhador tinha um machado mal encabado,
de cabo curto mas, muito, afiado!
Ele tinha um olhar cansado
e cheirava a suor.
E o pior é que não distinguia
o mal que fazia
e causava dor.
Cortava árvores sem piedade.
Mas, na verdade, matava a flor.
Até que um dia, cortou uma árvore.
E, nesta árvore, havia um ninho.
E o passarinho desalojou.
O passarinho piou, piou...
Piou... piou...
Rodopiou!
E, de repente, da flor
viu a semente.
Botou no bico, voou... voou!
E em um lugar distante
... a flor brotou.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Assim morrer



Havia uma floresta cheia de pássaros.
Lá, havia encanto e neste canto riachos.
Rios que, no mar desembocavam.
Ao lado de uma pedra, havia uma sereia.
Seu canto alegre, de repente, tornou tão triste.
Ela era de uma sensibilidade nata.
De anjos, incorporada.
A sereia foi vendo a sua floresta ser desfeita.
Toda transformada!
O verde ficou estranho.
Judiação sem tamanho, toda queimada.
Poluído, ficaram os rios, os riachos, toda a natureza.
Pássaros migraram!
Toda aquela beleza ficou em um tempo perdido.
A sereia balbuciava cantos sem sentido.
Ninguém entendia!
Ao lado daquela imóvel pedra...
Ela observava as águas que se misturavam
E caiam de forma indefinida.
E em um penhasco, ela quis ser cachoeira.
Sorriu de brincadeira, pensou na vida.
Observava as águas que caiam.
A mistura era estranha...
Idéias confusas, sentimentos mesclados.
Quem sabe?
... Se um declive na sereia- cachoeira houvesse.
E, assim como a água, ela pudesse.
Misturar-se toda, correr, fluir, viver.
Ou, cair bruscamente.
Descer rio abaixo
Despencar do penhasco.
E...
Morrer!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O rei e a nuvem de fumaça


Em um lugar muito distante havia um rei, uma rainha, príncipes e princesinhas.
Como todo rei, neste lugar, ele liderava e por muitas vezes incomodava. Aprendeu a desempenhar formalmente, todos os seus deveres.
Parecia deixar para a história seu trabalho bem feito e uma vida de insatisfações pessoais.
Irrequieto ele parecia descontente com alguns itens da vida e como alguns monarcas, ele parecia ser muito covarde. Não conseguia abdicar do trono e distante de seus súditos ele navegava e se comunicava através de uma aldeia global imensa. Submersa!
Certa vez, em uma dessas comunicações, ele recebeu um sinal estranho, um tanto primitivo. Não sabe ao certo se foi através de fumaça ou tambor, mas foi um sinal captado de forma diferente. Com certeza, jamais visto!
Sagaz e intrigante, ele tentou entrar neste mundo que, aparentemente o fascinava. O rei era astuto, crasso, não admitia nada inquiridor. Colocou, em alguns momentos, no ignore, estes sinais elementares. Buscava e buscava sinais mais abertos, mais acessíveis. Que coisa ridícula, tambores e fumaças! Mas, ele não parava de navegar e observar sinais através desta imensa aldeia global. Ele nada entendia de um mundinho tão restrito, onde a fumaça imperava e sons surdos de tambores ressoavam. Ridículo!
O rei permaneceu em sua monarquia por muitos e muitos anos. Como todo monarca, não queria abdicar do trono.
Viveu insatisfeito e, muitas vezes, triste. Não contratou nenhum Rufino para satisfazê-lo sexualmente, nem carregou franguinhos no bolso para saciar a sua fome, embora fosse um tanto guloso. Em outro lado do mundo, ainda, havia uma pequena fumaça, que às vezes dançava fazendo graça. O rei observava de longe e nada entendia, argumentava- resistente.
Até que, um dia, quando se questionava a saúde de um dos componentes da aldeia, a fumaça levantou e falou em tom de graça sobre a morte, pois os deuses que habitavam os seres desta aldeia eram muito felizes e muito atrapalhados, sempre, misturavam tudo. Faziam graça.
Noooossssa! O rei ficou muito zangado, não entendeu bem, julgou o sinal emitido como ofensivo e a cada mensagem de alegria que dançava no ar em forma de: OBAAA!
Ele ficava muito enfurecido!
Então, muito irritado, ele mudou de lado e novamente entrou (voltou) para o mundo global.
Estes sinais de fumaça eram emitidos de uma aldeia muito distante. Esta fumaça não o intrigava mais.
E, foi assim que este rei continuou o seu reinado,nesta busca incessante. Às vezes questionava a fumaça como errante.
Não... Ninguém entendeu estes estranhos sinais emitidos. Nem mesmo o sábio e respeitoso rei.
A vida passou e ele não conseguiu entender nada da graça que havia na fumaça. Nada entendeu, nada encontrou, mesmo porque ele estava totalmente perdido no reinado da vida. Mas, como todo rei, passou para a história!
Foi aclamado pela sua descendência, como todos os ilustres “reais” seres: pessoa honesta e cumpridora de deveres.
A fumaça continuou em um mundo perdido, em instintos e primitivos sinais. Dançava no ar, tentando alçar vôo mais alto, fazendo o mundo enxergar a beleza e a leveza de viver.
Tão fácil voar! Mas, como fumaça desmanchava-se toda. Espatifava no ar!
Dançou, dançou... e, nem tentou juntar-se as nuvens para ser transformada em chuva, nutrir o solo e, quem sabe, nascer a flor. Ficou no ar e no oba- oba... esfumaçou!
Era uma vez um rei e uma nuvem de fumaça.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Semeadora de sonhos



Era uma vez...
Um terreno fértil e um pouco deserto.
E uma semeadora de nome flor.
Semeava sonhos, ao semear amor.
Certa vez, contratou um jardineiro.
O terreno, antes deserto, com o jardineiro por perto... brotou, todinho, em flor.
E a semeadora, toda dengosa, semeou amor.
Mas, logo depois...
Veio a ausência de água ou de adubagem.
Ou a semeadora, semeou bobagem.
Ou então, o jardineiro fugiu, sumiu!
As plantas, todas, entristeceram.
De repente, quase todas, morreram.
Os pássaros emudeceram.
Sementes, eles, não podem mais transmutar.
E sem o jardineiro, por perto, novas flores... ela não pode mais plantar.
Só ficou uma roseira no lugar!
Despetalada, desfolhada e triste.
Retratando a realidade que existe:
Nada é eterno!
Nem mesmo o céu, nem mesmo o inferno.
Nem mesmo as alegrias ou as dores.
Nem mesmo a eternitude, das sonhadas, flores.
A vida é assim!
Fim do imaginário jardim.
Apenas uma rosa, despetalada e... triste.
É isto, que neste jardim, existe.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Um gigante na caverna

Algo esquecido...
Que adormecido esconde,
um gigante não sei de onde.

Metáforas apenas,
coisas pequenas.

Passei a mão.
E senti pulsar.
Parecia pular.
Tic... Tacteei.
Palpei... peguei!
Gigante, palpável.

Parado, o colosso!
Belo fidalgo,
portador de algo...
Grande e... grosso!
Um Rolex, no bolso.
Chic, o moço!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

A fábula da formiga

E por falar em Platão, cavernas...
Falarei de coisas mais simples,
embora complexas, internas.
Formigas!
Falo de uma adocicada formiga...
Que, em um imenso muro, se abriga.
Olha pros lados, apenas um doce,
que a vida lhe trouxe.
E... ao comê-lo, descobre:
Marmelada!
Não serve pra nada.
Acabou!
E a formiga, coitada,
tenta nova, escalada:
O muro!
Mas, faz tanto escuro.
Está meio velha e cansada.
Não aprecia, quase nada.
Triste golpe, a marmelada!
Nem cavar, tenta,
já não agüenta.
Resolve sair do escuro,
escalar o muro!
Coitada, da formiga...
Só vê o doce, da vida.
Nunca, provou outro doce,
só a marmelada, que o mundo, trouxe.
Enclausurada, o muro à sua volta.
Nada, na formiga, revolta.
Ela, ainda é, toda doçura.
E nesta candura, sempre, afobada.
Adocicada... coitada!
O muro, não escalou.
E, a terra, não cavou.
Nenhum doce, mais, encontrou.
Nem procurou, nem tentou!
Coitada, da formiga.
Só soube adocicar a vida.
No mesmo formigueiro, ficou.
E... a Marmelada, acabou!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Uma rosa na caverna

Durante todo este tempo, na caverna.
Perdida, entre belas sombras, interna.
Acorrentada no fantasioso.
E neste mundo maravilhoso, o tudo, imaginado.
Nada, é o tudo, porque o tudo, de fora, é pecado.
A felicidade plena, ignorância serena.
Pobre pequena!
Apenas uma rosa, no jardim da caverna.
Uma beleza pura, ainda interna.
E o universo de conhecimentos, no esquecimento.
Pobre criança... brincando.
Entre sombras, passando.
E a criança, brilhante e sorridente,
um belo dia, vê um brilho diferente.
Uma luz, um ar forte e quente.
Algo brilhante, contagiante.
Uma luz que a persegue,
e neste brilho, ela segue. Sai!
Raios luminosos partem em sua direção,
como se, generosos, lhe estendessem a mão.
Sente medo e nem pede arrego, segue apenas.
Pobre pequena.
Mente encurtada, pálida, desbotada.
Pobre rosa desfolhada, despetalada.
Na caverna, apenas uma tola menina,
olhando pra cima, entre sombras, sorridente.
Poliana da caverna, brincando de contente.
A claridade... meu Deus!
Quanto a assusta!
E a voz da razão, a chama.
Ela, não reclama, escuta!
Sair da caverna, dos sentidos primários,
e perder seus lindos imaginários.
Que claridade é esta?
Que a aflige, segue e persegue?
Que ofusca tanto a mente
e deixa triste, este contente?
Será que a quer?
Pobre menina, despertando mulher.
Uma rosa apenas.
Antes, serena!
Ainda, na caverna...
pequena!