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quinta-feira, 9 de junho de 2011

A rebeldia da natureza em flor

Tempestade na cidade.
Pensei nos desabrigados.
E senti dor e senti frio.
E meu rio virou pranto.
Vi meu canto, por muros altos, tão abrigado.
E mesmo assim, por telhas soltas, destelhado.

O céu negro escureceu o dia.
Coqueiros balançaram com tamanha energia...
Como se despedissem de mim.
Vi meu cãozinho assustado,
o rabo abaixado,
como se o mundo fosse ter fim.

Entendi, então, de perto a natureza
Pensei na beleza de reservas destruídas.
... Tive poucos danos!
Agumas flores, orquídeas despencadas.
Folhas soltas, desordenadas, do jardim.
Protegida, em meu canto abençoado.

Com a angústia do balançar dos coqueirais...
como já havia me despedido, despeço-me
da ânsia do ter mais.
Solitária...
Solidária...
Rebelde!



Crédito da imagem- Google images

sábado, 4 de junho de 2011

Cálice


Tudo estava abandonado.
Como estavam abandonados os sentimentos.
Ela não conseguia entender...
Como alguém podia fazer da vida, de outro alguém, tamanho tormento.

E, assim, foram passando as horas, os dias, os anos!
Tudo em pleno abandono...
Foram tantos os danos, tantos...
Das reclamações aos prantos, nunca, ninguém entendeu!

Algumas pessoas até perceberam...
Diante de tamanha loucura, a ferida, até ofenderam.
E ela sofreu... sofreu em pleno abandono.
Mais um dano, mais uma enorme dor!

Mas, ninguém, entendeu da loucura a imensidão.
Estava além de qualquer entendimento!
Tristes lamentos de lutas inglórias.
Quem sabe vitória? ( será que foi? )
"Perfeito"! Tudo permaneceu no mesmo lugar.

TODOS os valores foram preservados!
Do machucado e do agressor.
Ninguém entendeu a desesperança do amor.
A angústia e a dor daquela loucura infundada.

E ela passou a vida tentando entender.
Aquela pessoa que sofria e fazia sofrer.
Não era possível!
Ele Já havia nascido assim... atormentado!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Inacessível chão


Sentir o vento nas pernas
levantando a saia.
Sob os pés, na praia,
a areia grossa, molhada.

E a assanhada brisa insistindo...
E o cabelo se abrindo
como se quisesse voar
e na face mostrar
as marcas do tempo.

Viajar, em sonhos, distante...
Como se, por um instante,
pudesse saborear o risoto de camarão.
Ignorar o coentro, salpicar cheiro verde
e degustar um vinho branco.
Depois, ainda à mesa, a sobremesa:
doce de abóbora com nozes e requeijão.

Sentar no chão, acender a lareira...
E, de brincadeira, jogar com as palavras.
E vê- las voando... jogando... voando...
Dançando... jogando... voando...
Dançando...
Dançando...
como dançam os pensamentos.

E correr contra o tempo... a favor do vento!
Sentir a brisa no rosto.
Sentir nos lábios o gosto
e ver o azul do céu
em um prato azul florido.

E, ao simples tato,
desabotoar o vestido...
e morrer de paixão...
Ali, mesmo!!!
... no chão.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O gigante e a flor



Fizeram poemas de seus medos.
E ela não fez segredo de sua dor.
Transpuseram o oceano tão distante...
Ele era um gigante, ela era uma flor.

Não houve encontro, nenhuma paragem.
Nem houve tempestade nesse transpor.
Quando uma nuvem escura surgia...
o gigante emergia e salvava a flor.

Quando o mar batia contra os rochedos,
ele suprimia seus medos, não havia terror.
Ele dava formas tão interessantes à vida...
Que, das coisas de Deus, parecia escultor.

Ninguém soube exatamente quem era,
ninguém avaliou de seus dentes a cor.
Souberam, apenas, que de um lugar distante ...
existiu um gigante que cativou uma flor.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A vingança da cebola


Ela cansou de ser tempero...
Entrou em desespero e pos-se a rebelar.
Organizou um encontro com mais cebolas,
cujas cascas devassas faziam escorregar.

Esperaram passar um homem.
Agitaram as folhas escamiformes
e, escada abaixo, deixaram ele rolar.
Riram... enquanto ele chorava...

De braços, pernas, olho disforme
ficou o pobre homem no chão estendido.
Perguntavam se ele havia bebido
e, enfurecido, ele tentava explicar:

Foi a casca da cebola...
que me fez escorregar ...
Foi a casca da cebola...
que quis me matar!


Imagem do Google images

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Deus lobo ( Homo homini lupus)

Rasgue-me toda, se for capaz.
Olhe além da minha superfície.
Faça de meu corpo a planície de sua loucura.

Envolva-me com a doçura dos lobos...
Nem precisa derrubar a capa superficial,
ela é inexistente em mim.

Busca a sua sexualidade.
Dou - lhe a minha sensualidade.
Busca a insensatez, a duplicidade.
Sou a sensatez e dou-lhe a unidade.

Sou a carne,
sua presa.
Devore-me...
Se for capaz!











Imagem do Google images.
O poema?
dos poemas meus.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Infelizes para sempre


Não, não viveram felizes para sempre...
Se suportaram!
Não mais se amaram como antigamente...
Esperaram a morte chegar
para, enfim, livres
encontrar a paz tão desejada.
Seguiram o " bendito " sacramento
e deixaram- se levar pelo vento
como duas folhas mortas...
Desidratadas!
Viveram assim como muitos outros:
Incapazes,
infelizes para sempre.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Até que a morte os separe





Estarão juntos até o fim.
Mesmo que roube dela o canto dos pássaros.
Mesmo que ele canse, dela, os passos.
Mesmo que tente fazer do riso pranto.
Mesmo que tente roubar-lhe o encanto...
Estarão juntos! até que a morte os separe.
É única e simples a verdade...
Os covardes não saem do lugar...
Esperam a morte chegar.
Não percebem que já morreram.
Que mataram!
Nas simples coisas que perderam.
Nos momentos que, de viver bem, deixaram.




Crédito da imagem-
http://angelcris.files.wordpress.com/2011/03/img_3514a.jpg

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Arquitetura de um corpo







Se eu pudesse refazer o projeto do meu corpo...
Nada eu mudaria!
Deixaria com as mesmas curvas,
sujeitas a perigosas ultrapassagens.

E se houvesse derrapagens...
aí, sim, eu sinalizaria:
Cuidado! à sua frente curva perigosa.
Reduza a marcha!



Imagem- Google images