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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Soneto de Aniversário- Vinícius de Moraes

Passem-se dias, horas, meses, anos.
Amadureçam as ilusões da vida.
Prossiga ela sempre dividida.
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida.
Diminuam os bens, cresçam os danos.
Vença o ideal de andar caminhos planos.
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura.
À medida que a têmpora embranquece.
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece…
Que grande é este amor meu de criatura.
Que vê envelhecer e não envelhece.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Maracutaia da gaia

Que maracutaia é essa que a gaia tem?
Diz que o tempo não leva desaforo de nada. De ninguém!
Tudo muda com o tal tempo.
E a minha freqüência cardíaca também!

Ah, gaia... Gaia! Que maracutaia é essa?
Que apressa e faz-me apressar?
As marcas do tempo estão em mim.
Não adianta negar!

Sei o quão é poderosa.
Se sua freqüência muda, muda a da rosa!
Ah, gaia... Gaia!
Que maracutaia é essa de o tempo apressar?

Da rosa, sou folha ao vento.
Não encurte o meu tempo...
Deixe- me voar...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Bom dia!

Estou aqui bem no Horizonte.
Não bloqueie o sol...
Nasce no leste, sabia?
Todos os dias... Todos!
Vou caminhar, eu p
osso vê-lo nascer.
As estrêlas já se foram por querer.

Acordei e estou saindo, agora, do hospício.
Vou de encontro ao sol, diz ser solstício.
Não sei.
É quase dezembro, se não for... falta pouco!
Vou correndo antes que algum louco
Acabe com ele também.

E não haverá brilho para mim.
Nem para ninguém!
Ouço pássaros...
Ouçam!
Eles me levam a algumas quimeras desejadas.
Vou caminhar sentindo a força do sol.
Para continuar me amando e ser amada.

Pela vida eu já sou abençoada!
Que mais posso querer?
Nada... Mais nada!
Só preciso correr.
Tem um louco querendo o meu sol esconder.
Bom dia!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Minha estranha loucura

O encontro

Não deixe que a façam de louca.
E nem que sua boca o amor profane.
Se, não sabem amar... Ame!
Ame... Ame muito e não reclame!

Até o dia em que as desilusões chegarem.
E você olhar para todos os lugares...
E não se encontrar.
Sente que enlouqueceu.

Não se desespere!
Calma, espere, comece a se procurar.
Nesse momento, eu lamento...
Mas, a chamarão de louca.

Não abre a boca!
Deixe... deixe...
E, mais uma vez, não se queixe.
O melhor da vida é se encontrar.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O circo

Era um circo.
E eu nem sabia.
Para participar da alegria
Entrei.
Participei da estréia.
Virei platéia...
Bati palmas...
Num misto de incredibilidade
e encantamento...
Eu me envolvi.

Achei, tanta, graça...
Tanta, graça...
Mas, tanta, graça!
Que virei palhaça!
Nunca mais saí.
E no circo...
Eu vivi.
E, nele, eu morri.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Rosa- dos- ventos


Quanto mais eu envelheço.
Quanto mais pareço, da vida, dispersar.
Ao tempo, nesse tempo, eu tento me agarrar.

Embora o tempo passe de forma, tão, breve...
Prometo deixar que me leve
Quando for o momento.

Serei a rosa- dos - ventos nos braços da morte.
Se eu tiver sorte, em sonhos, eu voarei.
E como rosa, no jardim do Horizonte, eu brotarei.

E para essa roda da vida, nessa roda gigante...
Nesse tempo gritante de loucura e brincadeira...
Retornarei na ventania ou na poeira.

E no silencio da madrugada...
Serei um sopro do que fui em vida.
Um pouco de tudo e, muito, do nada.

sábado, 22 de novembro de 2008

Análise






E eu estava, lá,
diante de Freud
E, na análise, eu o enlouquecia.
Perdida em momentos de euforia
e tristezas incausadas.
Deitada sobre almofadas eu dizia:
-Sou um pequeno ser vivente nessa terra...
A ciência encerra o meu ser de forma precisa.
Cisma em dizer que descendo de bactérias.
Outros dizem que sou matéria.
E eu aprendi que sou resultante do amor.
E por falar em amor, abomino a desigualdade, a injustiça.
O desamor a qualquer preço!
Sou o avesso do mundo, a alegria.
E se, em meus dias, eu rio e choro...
É por que sei que, entre a vida e a morte,
sou meteoro.

Gostaria de viver de forma intensa.
Nada, além daqui, compensa.
Pois, tudo, é incerto!
Sei que no momento certo, eu partirei.
Das crenças me falaram, ensinaram!
Sim, eu sei!
Mas,do que eu aprendi...
Algumas coisas não tenho mais, tanta, certeza!
Vivo a beleza, aqui, de meus dias.
Com minhas tristezas e minhas alegrias.
Mais nada!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Perdidas ilusões

Não me chame de amor
Nem de meu bem.
Se o querer bem é ser assim.
Afaste de mim o seu querer.

Se sofrer é o que fascina.
Pensa que ama!
Não sabe amar... Amor não domina.
Não domina nada!

Não sabe nada... Nada, mais sabe!
E nem percebe que nada mais quero.
Que nada mais espero.
Tamanha dor!

Nem mesmo a flor que, tanto, amo.
Nem mais a quero, nem a reclamo.
Não quero nada, não sou mais nada!
Eu não sou sua!

Sei lá se fui.
Se, fui um dia!
Tamanha dor, minha agonia.
Sou de ninguém!

Vou mais além!
O que pensa que viveu...
E se, pensa que eu vivi...
Morreu... Morri!