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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

AVC ( A V o C ê)




Ao meu irmão


E você amanheceu diferente.
Com a fala embolada
e a mão dormente.

Com a graça calada
e os passos mais lentos.
Mais emotivo!

Talvez você tenha que aprender tudo de novo.
Talvez tenha que ensinar-nos o que há de novo.
E mais uma vez vamos ouvi-lo...
Mesmo que em gestos.

Que importa que palavras sejam trocadas
e algumas esquecidas?
O importante é a sua vida,
aqui, entre nós!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Uma canção para Elisa

O Natal faz milagres.
Vi uma menina ouvir,

pela primeira vez, um pássaro cantar.
E o barulho da rua, antes mudo,

milagrosamente pareceu gritar.
Ficou meio assustada, como se a passarada
e os passos das pessoas pudessem incomodar.
Deve ser difícil acostumar com sons antes surdos,
adaptar palavras aos belos lábios mudos.
Mas, há de acostumar!
Que Deus a abençõe menina...
Que os Natais cantem lindas melodias para você.
Que você possa ouvir, falar e se encantar.
Que você possa cantar, com o seu encanto,

seus 17 anos silenciosos.
Fiquei muito emocionada...

Muito!
Um beijo Elisa!

O meu carinho por você e por toda sua família.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

De Jesus a papai Noel


E foi assim que Ele foi sendo substituído,
das vestes rasgadas à roupa vermelha.
Enfeitado de branco o punho e a gola,
de couro preto o cinto e as botas.
Nas costas o saco cheio de presentes.
E Jesus desprezado, morto, crucificado
... Esquecido!
De suas vestes despido,
no coração de muitos seres humanos.








( Imagem- Google images )

domingo, 4 de dezembro de 2011

Cicatrizes do tempo



O envelhecimento assusta.
Cresce a orelha, o nariz e o mento.
Nem sei o que mais lamento,
se são as marcas no rosto
ou o futuro desgosto
de ser chamada de orelhuda.
Imagino cabelos brancos caindo,
meu rosto miúdo sumindo
entre orelhas enormes...
Óculos disformes nela apoiados.
Presbiopia, com certeza!
E na beleza da idade
a vaidade disforme do ser.
Verrugas haverão de crescer
nos mais nobres e empinados narizes.
Cicatrizes do tempo...
Não perdoam!



Imagem- Google images

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Projeção de sombras


Sinto-me fonte luminosa.
De mim partem raios da cor de Rosa.
Refletidos em meu corpo, em meu sorriso,
eles iluminam todo o meu ser.

Sou teto aberto, morada franca.
Sou luz branca ao escurecer.
Não são minhas as sombras refletidas.
Reflito luz para não morrer.

São sombras alheias...
Ocultas por padrões sociais.
Em metáforas são colocadas,
de forma triste em meus tristes ais.

Não tem, em mim, nenhum monstro escondido...
Nem o inconsciente é povoado de criações mentais.
Tudo seria tão simples...
se fôssemos simples como os irracionais.





segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Meu viver



Viver algo sem amor,
apenas pelo prazer de um instante,
sem cor, sem tela,sem sentido...
Eu não conseguiria!
Se viver é se fazer eterno
para o coração de alguém...
Em um único coração eu viveria.



Imagem-http://telamamaria.blogspot.com/2011/11/pin-up.html?zx=54c6c8935d6fa7e5

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Objeto fálico


Ele sumiu!
Deixou o pincel jogado.
Como um objeto fálico, desleixado...
Um tufo de pelos! no extremo de um cabo.

Êle era a encarnação da indecência.
Ela era a ausência do pecado.
Só queria que a retratasse,
que voltasse com as tintas e com a tela.

Que, em gotículas de água suspensas no ar,
êle observasse a dispersão da luz solar.
E que pintasse, no conjunto de arcos coloridos,
uma flor brotando em um jardim florido.

Mas o pintor sumiu!
com as tintas e com a tela.
Deixou na casa amarela um pincel jogado...
Cheio de pelos em um tufo grudado.



Credo!






Imagem- Google images

sábado, 29 de outubro de 2011

Resgate angustiante

Eu não espero que me dê a glória,
a minha vitória é saber quem eu sou.
Sou pura como a água...
Transparente!
Você é doente...
Um coitado!
Só não morre afogado
por que lhe dou a beber.
Beba da minha água,
seja puro e cristalino.
Resgate o menino
que um dia houve em você.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Momentos de reflexão


Tenho estado pensante...
Como se eu pudesse pensar!
Desejo agarrar-me a tudo o que eu tenho
como se, a qualquer instante, a vida fosse me roubar.

Agarro-me às pessoas que eu amo,
as que me criaram e as que eu criei.
Na vida nada mais me importa...
Além das pessoas que me amaram e que eu amei.