contador

Hits Since February 12, 2007!

Free Hit Counter by Pliner.Net

Tradutor

Seguidores

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A vingança e a bingança da porta




A vingança da porta
( Alberto de Oliveira )

Era um hábito antigo que ele tinha:
entrar dando com a porta nos batentes
— "Que te fez esta porta?" a mulher vinha
e interrogava... Ele, cerrando os dentes:

— "Nada! Traze o jantar." — Mas à noitinha
calmava-se; feliz, os inocentes
olhos revê da filha e a cabecinha
lhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes.

Uma vez, ao tornar à casa, quando
erguia a aldrava, o coração lhe fala
— "Entra mais devagar..." Pára, hesitando...

Nisso nos gonzos range a velha porta,
ri-se, escancara-se. E ele vê na sala
a mulher como doida e a filha morta.
----------------------------------

Furnandes Albaralhão (Horácio Campos), poeta e humorista, escreveu poemas "lusitânus" e compos paródias de poesias de autores nacionais e estrangeiros.

Autor do livro: "Caldo Berde".

O texto abaixo foi extraído do livro "Humor e Humorismo - Paródias", Editora Brasiliense - São Paulo, 1961, pág. 311, antologia organizada por Idel Beker, onde o autor faz uma paródia da poesia de Alberto de Oliveira, postado acima.


A bingança da porta
( Furnandes Albaralhão )

Era um custume vesta que ele tinha
intrar vatendo a porta: — "Antão Manéle!
lhe dizia a mulhére, que papéle!
não me faças romôre! Olha a bizinha!"

E todo dia era essa ladainha!
Sujaito deshumano, pai cruéle,
dizia-lhe: — Si tains amôre à pele
daixa-me sussigado, ó mulherzinha!"

Uma noite em que bâiu desse jaito,
a pinitrar cum falta de ruspaito
na casa em que amvos eles dois residem,

avrindo a porta a punta-pés, zangado,
biu pulo chão, uma de cada lado,
a mulhére inguiçada e a filha idem!

4 comentários:

Jorge Pimenta disse...

fátima,
neste final de tarde de domingo, uma visita às portas amigas onde as vinganças são brisas que não sabem bater.
um abraço!

Luís Coelho disse...

Não consegui entender esta linguagem

Fátima disse...

Pois é, o humorismo faz dessas coisas.
Graça sobre coisas sérias.
A poesia primeira é linda...
Boa semana!
Com carinho
Fátima

Nilson Barcelli disse...

É muito complicado para um brasileiro perceber um e outro poema.
Ambos contêm erros de português propositados, procurando imitar a pronúncia real de uma zona específica de Portugal, onde muita gente, por exemplo, troca os "vês" pelos "bês".
Não conhecia nenhum dos poemas.
Querida amiga, boa semana.
Beijos.